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Frigideiras do Cantinho
— desde 1796 —

Esta história começa em 1796, sete anos passados sobre a revolução Francesa e a poucos mais da fuga do Rei para o Brasil. Numa esquina de Braga, hoje conhecida pelo número 01 do Largo São João do Souto, abriam pela primeira vez as portas de uma casa de pasto com forno de pasteleiro e uma oferta diferenciadora para a época, os típicos folhados minhotos, de carne picada, conhecidos como Frigideiras, que se faziam acompanhar de vinho tinto, bebido à taça. O nome da casa, dado o ex-libris e localização peculiar, terá surgido naturalmente, ficando o nome de marca Frigideiras do Cantinho. Dos fundadores nada se sabe, mas passadas algumas décadas, após as invasões napoleónicas, quem abria por sua vez as portas da casa era a família Valença, a quem quis a providência dar a honra de servir algumas das mais ilustres figuras da literatura portuguesa, como Júlio Dinis e Camilo Castelo Branco, que não se fizeram rogados em elogiar a peculiar gastronomia, descritas como “divinais” e referenciadas de “Frigideiras Bracarenses”.

Por entre Cartistas e Setembristas, saques, batalhas e revoltas populares, o século XIX recompensou Braga com a locomotiva e alguns dos mais belos edifícios arquitetônicos daquela época. Na viragem do século a propriedade passou para a família Pires, dando continuidade ao testemunho, entretanto centenário, por entre grandes guerras, ditaduras e fortes transformações sociais, até 1968, ano em que o Frigideiras do Cantinho é adquirido pelo casal Avelino e Isaura Rocha, naturais de Vila Verde e de Póvoa de Lanhoso respetivamente. Curiosamente, algumas décadas passadas, corria o ano de 1995, o espanto bateu à porta da Dona Isaura com a mais inverossímil notícia — a descoberta de ruínas romanas no subsolo do Frigideiras do Cantinho! O objetivo era tão pouco de natureza científica, mas antes de caráter prático, com o propósito de construir uma cave para arrecadação. No entanto, à medida que o necessário trabalho de escavação progredia, tornavam-se notórias as evidências de que algo de muito mais antigo jazia nos alicerces desse edifício centenário. O caso foi notícia na cidade e chamou a atenção do município, que prontamente recomendou a preservação deste tesouro arqueológico identificado na peritagem com sendo uma Domus, uma típica casa familiar romana, com mais de 2000 anos.

A decisão de preservar o achado foi unânime e imediata, para o júbilo dos clientes da casa e dos milhares de visitantes, nacionais ou estrangeiros, que todos os anos, desde a inauguração em 1997, passeiam sobre o soalho envidraçado que resguarda as ruínas romanas, preservadas pela boa vontade e visão dos proprietários da Frigideiras do Cantinho.

Com o novo milénio e após trinta e dois anos de atividade, a família Rocha adquire a totalidade do negócio e integra na gerência o genro Fernando Areias, atleta de Andebol e adepto incondicional do ABC de Braga, re-afirmando a passagem de testemunho de um dos grandes marcos da restauração de Braga. No entanto, não só de tradição vive a marca “Frigideiras do Cantinho”, ou melhor será dizer, que da tradição faz-se inovação. Numa manobra tática arrojada, a Frigideiras do Cantinho desenvolve um novo produto tão promissor quanto as famosas “Frigideiras”. Um bolo cuja receita é adaptada de um antigo tratado romano datado do século I, da autoria do famoso escritor e gastrónomo Marco Gavius Apício.

Contando com o inestimável apoio da Drª Isabel Silva e em parceria com o Museu Dom Diogo de Sousa, o “Bolo Romano” foi lançado oficialmente na comemoração do Bimilenário da Cidade de Braga, juntando-se ao cabaz de iguarias e doces conventuais que pode encontrar na Frigideira do Cantinho. Já agora, enquanto degusta com afinco a sua deliciosa Frigideira ou Bolo Romano, não se esqueça de olhar para o chão onde a história se encontra a seus pés. Não se vai arrepender.  
Frigideiras do Cantinho

 

2018-10-26T12:55:10+00:00