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Casa Bouças
— desde 1905 —

No antigo depósito de carvão da Rua dos Capelistas, a escassos metros dos trabalhos de demolição do Castelo de Braga, abriam as portas da Casa Bouças, corria o ano de 1905. Desde meados do séc. XIX que o armazém recebia o carvão nacional em juntas de bois oriundas das lavras nas Minas do Pejão e São Pedro da Cova. Mas foi após a inauguração da ferrovia da Linha do Minho, em 1875, que o armazém se tornou num dos principais pontos de abastecimento dos carvoeiros, que levavam o precioso carvão miúdo aos fogareiros e fogões de ferro de Braga. No entanto, os vários atos de sabotagem ao ramal ferroviário, perto de Nine, como a remoção de quatro carris inteiros, em Setembro de 1903, afetaram o fornecimento de carvão e, dois anos depois, era passada a propriedade a Manoel D’Oliveira Bouças, que confinou o carvão à cave e complementou a oferta com ferramentas e ferragens na área térrea.
 
Durante os anos 30, sucedeu o filho, que viria a assistir em primeira fila ao frenesim da corrida ao volfrâmio. Entre 1941 e 1963, o Sr. Bouças recebeu os capatazes da empresa mineira Silva, Barbosa & Marques Limitada, ao volante das modernas carripanas, carregadas com um punhado de moços, para comprar as picas, pontas-de-ferro e cordas que seriam usadas para lavrar palhetas de volframina, na Mina das Aveleiras. A vida desses mineiros, desse “formigueiro humano” pago a $20 o dia, ficaria para sempre imortalizada na obra “Volfrâmio” de Aquilino Ribeiro, publicada em 1943.
 
Na década de 50, o filho de Manoel Bouças fundou a sociedade Bouças, Morais & Fernandes, com cedência de cota ao funcionário Miguel Morais e ao contabilista Fernandes. Em 1990, Miguel Morais adquiriu a cota dos restantes sócios, nomeadamente, a cota maioritária cedida pela herdeira da família Bouças, Dona Helena. O Sr. Morais manteve a casa aberta até 2012, ano em que, já com 91 anos de idade, vendeu as cotas aos atuais proprietários, Domingos Barbosa Brás e à esposa Isabel Maria Lopes Pinto.
 
Domingos e Isabel, casados e com duas filhas, desde cedo iniciaram a sua vida profissional no ramo do comércio de cutelarias e utilidades domésticas que viriam a manter até 2012, aumentando o alcance e experiência do casal aos utensílios de cozinha de prestígio, um fator que viria a ser determinante para o renascer da Casa Bouças. Como a relação com a Casa Bouças já vinha de há muitos anos, pois o Domingos era um dos principais fornecedores do estabelecimento, avançaram com a ideia de negócio de completar a oferta da casa com novos produtos de alta qualidade — utensílios de cozinha importados de Itália, França, Alemanha e Inglaterra. Reunidas as condições para a passagem natural do testemunho, assumiram a dura empreitada de dar continuidade à Casa Bouças, atualmente uma referência na cidade, com uma clientela composta tanto por locais como por turistas e curiosos deste estabelecimento repleto de história.
 
Um caminho centenário, ligado tanto ao trabalho como às necessidade do quotidiano, que já fornece desde potes de ferro a cafeteiras de latão, a restaurantes suiços, e sinos de latão a municípios. A par com os mais diversos serviços de utilidade, como a mestragem de fechaduras, fornece vários tipos de equipamentos para profissionais picheleiros, mecânicos, eletricistas, com materiais e ferramentas para construção e agricultura. Mas o que mais encanta são as montras recheadas de belíssimas caçarolas e sumptuosos bules em ferro fundido, gigantescas cataplanas em cobre e exóticos alambiques. A clientela desta casa, sabe que encontra do bom e do melhor e recebe como prémio extra, para além do caráter distintivo e autêntico do espaço, o atendimento mais representativo da hospitalidade minhota — o sorriso da Isabel. Entre e confira!  
Casa Bouças

 

2018-08-23T14:30:44+00:00