Caldo Entornado
— desde 2010 —

Alguns estabelecimentos têm o privilégio de se conseguirem inserir na derme de uma cidade para se afirmarem como dinamizadores da mesma e se tornarem parte integrante da história. Assim é o Caldo Entornado, um bar/restaurante que muito tem contribuído para a animação de Braga. A história dos atuais proprietários está rodeada de uma série de desencontros, que eventualmente resultaram numa parceria de sucesso, tanto na vida pessoal como no negócio.

Comecemos pelo início: Rodrigo Pinto da Silva nasceu em Leça, mas os seus pais mudaram-se para Braga quando tinha apenas dois anos. Na sua infância, durante brincadeiras e saídas nunca se cruzou com Inês Machado, uma menina cujos avós viviam na e por onde passeava de mão dada com o seu avô paterno. À medida que a idade adulta se aproximava tiveram amigos em comum, mas ainda assim os seus olhares pareciam destinados a não se cruzarem. Ambos deixaram Braga durante alguns anos. Inês estudou Engenharia Electrotécnica, em Vila Real e, mais tarde Educação de Infância, em Braga. Nas idas e voltas da vida, morou também em Lisboa onde foi Educadora na Tutor Time, um colégio que se localizava no Parque das Nações. Nessa mesma altura, Rodrigo também por lá viveu, mas acabaram por regressar a Braga sem se encontrarem. Inês continuou a trabalhar como educadora de infância e Rodrigo tinha um part time como DJ no restaurante Caldo Entornado, localizado na rua Rua de São João, nº 8, que já funcionava desde 2010.
Certo dia, ela entrou no hall do restaurante e com apenas um vislumbre, Rodrigo apaixonou-se. Pouco tempo depois os eternos desconhecidos, já não o eram.

O irmão de Rodrigo ficou com o Restaurante Caldo Entornado em 2015 ( os antigos proprietários eram amigos de ambos) e convidou o casal a explorar a parte do Bar. Aceitaram e desde logo foi um desafio empolgante. Dias antes da abertura do restaurante já com a gerência de Bruno Pinto da Silva, Inês comemora os seus 40 anos e abrem portas no dia 22 de Março de 2015.
Continuaram a apoiar o irmão de Rodrigo nesta nova etapa das suas vidas, não só com o bar mas também no restaurante, realizavam eventos, jantares para amigos… Em Janeiro de 2017 abraçaram o negócio na totalidade, tornando-se assim proprietários do restaurante/bar.
A falta de experiência a este nível não assustou Inês e Rodrigo. Aliás, o gosto em receber a clientela era algo intrínseco aos dois e prontamente imprimiram o seu cunho pessoal ao negócio.

As alterações estéticas e funcionais têm sido graduais, com a ajuda de dois amigos, uma arquiteta, Diana o outro, designer Guilherme. Já na esfera gastronómica, com a ajuda da mestria da cozinheira Fátima Rodrigues, dão preferência à tradição, sob a forma de cabrito, bacalhau à braga, polvo à lagareiro e bife à casa, contudo, também se podem encontrar itens mais diversificados no menu, como caril de gambas e picanha. Quanto aos vinhos, o casal gosta que os clientes possam beber descontraidamente, e disponibilizam, portanto, vinhos com boa relação qualidade-preço. O bar, claro está, oferece um óptimo complemento à escolha. Foram introduzidas recentemente as cervejas artesanais que acompanham perfeitamente as tapas, tábuas de queijos e petiscos. Os cocktails são preparadas de maneira tradicional, sem adoçar demasiado as bebidas, como Rodrigo refere e podemos encontrar uma mescla de novidades e clássicos, desde o daiquiri, passando pelo negroni, irish coffee, old fashioned, manhattan, caipirinha, mojito, apple spritze e long island iced tea.

O ambiente que permeia o bar prende-se diretamente com música cuidadosamente selecionada. New disco, soul e broken beats são alguns dos géneros que garantem uma noite sempre animada e descontraída. Rodrigo refere com orgulho inegável que neste bar as pessoas não resistem a dançar. No fundo, o casal cria uma experiência em que todos são bem vindos, em que a gastronomia tradicional convive com um aspeto de modernidade e em que a complementaridade do bar e restaurante convida as pessoas a prolongarem a noite. A parceria com o hotel D. Sofia tem assegurado que muitos visitantes de Braga passem aqui serões agradáveis. De referir ainda que a escultura da senhora do leite, nas traseiras da Sé de Braga onde se encontra o estabelecimento, é visita obrigatória para os apreciadores de arte sacra.

Mas a ambição de ambos acabou por transbordar porta fora, com a contínua dinamização da festa de S. João e a famosa Noite Branca. O primeiro evento dispensa apresentações. É de referir sim o jantar para mais de 100 pessoas organizado pelo Caldo Entornado, que é inevitavelmente acompanhado de música portuguesa, com nomes como José Cid e Vítor Espadinha. A Noite Branca, em que os participantes se vestem de branco, é mais, recente mas também tem sido um grande sucesso. As colunas de som na rua fazem homenagem a musicalidades dos anos 80 e o Caldo Entornado conta com o entusiasmo de outros estabelecimentos que se juntam à iniciativa.

As paredes centenárias deste negócio, que já albergaram uma casa de chá, uma loja de decoração e até a casa de um padre bracarense, têm muito para contar. Com a dinâmica e simpatia deste casal, terão certamente mais ainda.
Nesta casa só o nome é que é entornado. Quem quer vivenciar excelentes horas de convívio à mesa ou no bar é aqui que deve entrar.  
Caldo Entornado

 

2019-01-09T11:26:41+00:00